Estava extremamente orgulhoso da minha filha Emily, de 9 anos. Decidida a comprar uma bicicleta de montanha, ela passou um ano aguardar a semanada e a fazer pequenos recados e tarefas na vizinhança para ganhar mais uns dinheiritos.
Por altura de Novembro, já pusera de lado 49 euros, mas ainda assim parecia desanimada.” Acho que não vou conseguir” disse-me ela.
Para a provocar, respondi “ Sempre podes escolher da minha colecção de bicicletas”. “ Obrigada pai. Mas as suas bicicletas são tão velhas…”
E tinha razão, está claro. As minhas bicicletas eram todas modelos de 1950. “ Clássicas” mas não do género que um jovem de hoje quisesse ter.
Pouco antes do Natal, fui com a Emily ver bicicletas. Ainda abaixo da meta que estabelecera, ela escolheu uns quantos modelos menos caros com que talvez conseguisse contentar-se.
Ao sairmos de uma loja, ela reparou num voluntário do Exército Salvação que, junto a uma cafeteira encarnada e enorme, tocava exuberantemente uma campainha.
” Podemos dar alguma coisa pai?” pergunta ela.
“ Desculpa, Emily, “ respondi eu, “ Mas estou sem trocos”.
Durante todo mês de Dezembro a Emily continuou a fazer muitos trabalhos, até que um dia se saiu com uma declaração espantosa: “ Sabes, o dinheiro todo que eu juntei?” balbuciou ela,
“ Vou dar tudo aos pobres.”
“ Isso é muito bonito”, disse a minha mulher, Diane. “Mas poupaste durante o ano todo. Talvez pudesses dar só uma parte.
” Emily, abanou a cabeça.
E assim, uma bela manhã pouco antes do Natal, sem qualquer pompa, a Emily entregou a sua poupança total de 58 euros a um agradecido voluntário do Exercito de Salvação.
Comovido pelo altruísmo da Emily, também eu decidi dar uma das minhas bicicletas clássicas a um concessionário de automóveis que estava a juntar bicicletas velhas para dar a crianças pobres. Quando estava a escolher um dos modelos resplandecentes da colecção, foi como se um segundo modelo se iluminasse
E se eu desse duas? Não, uma havia de chegar.
Mas quando ia a entrar no carro, a ideia de dar uma segunda bicicleta não me largou. E fiz meia volta.
Quando entreguei as bicicletas, o concessionário disse-me. Vai fazer duas crianças muito felizes. Aqui tem as rifas “Rifas”? ! disse “eu.
“ Sim. Por cada bicicleta doada damos uma hipótese de ganhar uma bicicleta de montanha para rapaz, nova, de uma loja daqui.”
Porque será que nem fiquei surpreendido quando veio a ver-se que aquela segunda rifa era a premiada? “Ganhaste?! Nem acredito! “ riu-se a Diane.
“Não ganhei nada.” Respondi eu.
“E mais que evidente que quem ganhou foi a Emily.”
E não me surpreendeu também que o dono da loja se tenha alegremente prontificado a trocar a bicicleta de rapaz anunciada por uma lindíssima bicicleta de montanha para rapariga. Coincidência? . Talvez . Eu prefiro pensar que foi uma maneira de recompensar uma rapariguinha por um sacrifício para além dos seus verdes anos enquanto de caminho, o pai aprendia uma lição.


