Adaptado de mensagem de Carlos Oliveira à Igreja em Fontaínhas – São João da Madeira. 13/09/2020

 

Com a idade, a tendência natural do homem é ficar cada vez mais pessimista… Para além disso, os mais velhos são muitas vezes negligenciados e pouca importância lhes é dada e essa atitude por parte dos outros pode gerar desânimo e depressão.

E por isso é bom relembrar que o melhor ainda está para vir. E não é só na eternidade, quando chegarmos ao Céu!…  Ainda aqui na Terra, aos 80 anos e mais, o melhor está para vir. Na Bíblia, há vários exemplos disso mesmo. Nesta meditação iremos falar de 2 homens que representam esse exemplo – Caleb e Mnason. Na velhice ainda deram muitos frutos. O fantástico está reservado a quem quer, não a quem pode!

Não podemos ser crentes do passado, pensando que quando erámos novos é que tínhamos vigor e fazíamos serviço para Deus. Devemos ser crentes do presente e do futuro.

 

Caleb (Josué 14:6-14)

Caleb começou por falar do passado, falando dos seus feitos valorosos, apesar dos que o rodeavam não o animarem e apoiarem, antes pelo contrário. Depois, continuou dizendo que aos 85 anos se considerava tão forte como aos 40. Aos 85 anos, Caleb pediu aos Senhor um monte. Não pediu um lugar fácil, não pediu um vale e ainda por cima um monte habitado por gigantes!

A vida de Caleb dá-nos 3 grandes lições:

1. As derrotas dos outros não têm de nos derrotar a nós.

Por causa dos outros, Caleb e todo o povo teve de vaguear pelo deserto durante 40 anos!… Por causa dos outros!… O corpo de Caleb podia andar no deserto, mas o seu coração estava fixado na terra prometida! O nosso corpo pode estar num hospital ou numa cama, mas o nosso coração e o nosso olhar podem e devem estar no Senhor.

2. A idade não é uma barreira para fazer coisas para o Senhor.

Caleb pediu para conquistar um monte, cheio de gigantes!… Com 85 anos… Caleb não se contentou com o confortável. Os 85 anos não representaram declínio, mas foram um marco para ele subir. (Salmos 92:14)

Quais são os montes que estão perante nós e que devem ser reclamados? Financeiros? Familiares? Falta de saúde?… Muitas das bênçãos de Deus, vêm embrulhadas em problemas!

O monte deve ser encarado como uma herança, um tesouro cheio de riquezas…

3. Olhar em frente, não para trás.

Há sempre novas bênçãos a alcançar.

Caleb olhou para a frente. Ele podia ter ficado amuado quando chegaram à terra prometida, podia ter dito: eu tinha razão. Mas ele não se queixou, nem murmurou. Olhou em frente e reclamou a herança.

Caleb deixou o monte como herança à sua descendência. O que fazemos hoje tem implicações no futuro, não só no nosso, mas dos nossos, por vezes por muitas gerações.

Ao contrário dos gigantes, que são descritos na bíblia pela sua condição física (6 dedos, grande porte,…), os vencedores dos gigantes foram conhecidos pela seguinte expressão: “filho de…”. Pois os seus pais eram nobres e grandes na fé. Os nossos filhos, serão um dia conhecidos por serem nossos filhos?…

 

Mnason (Atos 21:10-18)

O dia-a-dia dos cristãos daquele tempo, traz para nós grandes lições e com eles devemos aprender.

1. Hoje em dia, há muitos crentes que ficam magoados e aborrecidos quando alguém fere os seus egos. No passado, Paulo ficou magoado por estavam a “paparicar” o seu ego.

2. Devemos ter cuidado quando tentamos convencer os outros. Embora não nos devamos abster de dar conselhos pois na multidão de conselhos há sabedoria (Provérbios 11:14). No entanto, deve ser o Senhor a convencer e também o Senhor a mudar alguém. Aqueles crentes na passagem de Atos, não conseguiram convencer Paulo a não ir a Jerusalém. E o que aconteceu quando não conseguiram?… Não fizeram birra ou criaram divisões e barreiras, eles simplesmente recuaram, sossegaram e resignaram-se à vontade de Deus, acompanhando Paulo a Jerusalém.

3. Vários crentes foram com Paulo a Jerusalém e com eles levaram um crente idoso Mnasom, cujo nome significa “diligente buscador”. Mnason era já velho, mas continuava diligente, sempre em busca, sempre entusiasmado com a obra e com a comunhão. Assim nós também devemos ser na velhice.

4. Mnason vivia em Jerusalém, apesar de ser de Chipre e na altura estar em Cesareia. Ele ainda era útil, apesar de ser velho. Mnason recebeu todos aqueles crentes na sua casa em Jerusalém. Ele usou o seu tempo e o seu dinheiro para apoiar os seus irmãos na fé. Quando nos entregamos ao Senhor, é natural dar-Lhe tudo: o nosso tempo e o nosso dinheiro para a obra e para ajudar os irmãos, partilhar o nosso conhecimento com os outros,…

5. Mnason era um “discípulo antigo”. Discípulo é aquele que aprende. Na velhice ainda aprendia… morreu a aprender… Para além disso, Jesus disse: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos” João 8:31. Discípulo é aquele que permanece na palavra.

6. Mnason acompanhava-se de irmãos mais novos. Ele era um deles e foram eles que o quiseram levar consigo. Ele não se impôs, mas era desejado…

7. Mnason hospedou Paulo e os outros. Os homens de Deus não se alojavam em casa de qualquer um; ele era recomendável, fiel,…

 

Estes homens, Caleb e Mnasom, foram crentes com sinal +, diligentes e ativos. Tal como os crentes de Bereia, dos quais a Bíblia diz que eram mais nobres dos que os de Tessalónica (Atos 17:11). Queiramos ser crentes com sinal +: ativos, interventivos e envolvidos. Independentemente da idade, O Senhor espera muito de nós…

Na tropa a antiguidade é um posto. Na vida cristã, isso não é verdade….

A vida cristã, pauta-se por subir de montanha em montanha, até atingir o zénite que é o Céu. As montanhas não trazem apenas dificuldades e gigantes, mas conquistá-las traz riquezas e herança.

 

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